Opinião · Dados

Nem toda empresa está pronta pra falar de ROAS. E tudo bem.

Sobre o abismo entre o discurso do LinkedIn e a realidade dos CRMs fragmentados - e por que o feijão com arroz bem feito é a estratégia mais sofisticada que existe.

Ana Rosa Vieira
Ana Rosa Vieira
Publicado em · Atualizado em · 2 min de leitura

Esse texto nasceu de uma cena que se repete: reunião de diretoria, slide bonito prometendo "visão de receita ponta a ponta", e no bastidor um CRM que não conversa com nada. Escrevi para o gestor que sente que está atrasado no rolê - e que provavelmente não está.

Todo mundo quer medir o que importa. Mas quase ninguém tem o básico funcionando.

Nos últimos anos, virou quase um consenso entre profissionais de marketing: CTR, CPC e CPL são métricas de vaidade. O que importa é LTV, ROI, ROAS, receita. Falar a língua do CEO. Mostrar o impacto real no negócio.

Concordo. Mas tem um porém que quase ninguém gosta de admitir: a maioria das empresas - inclusive as grandes - não tem estrutura técnica pra chegar lá.

Não é falta de inteligência. É falta de integração.

  • O CRM não conversa com o gestor de anúncios;
  • O lead entra duplicado;
  • O funil quebra no meio;
  • E o dado da venda nunca volta pra mídia.

No fim, o gestor se vê otimizando campanha pra “cadastro” enquanto o discurso no LinkedIn fala sobre “otimizar pra valor de vida do cliente” - e fica todo mundo com a sensação de estar atrasado no rolê.

O abismo entre o discurso e a prática é enorme

Quem vive o bastidor sabe: medir o que importa depende, antes, de conseguir medir qualquer coisa direito.

O problema não é o marketing ser “míope”, é o ecossistema inteiro ser fragmentado. Cada plataforma fala uma língua:

  • Plataformas de mídia falam em conversão;
  • CRM fala em oportunidade;
  • Financeiro fala em receita.

E ninguém se entende.

Não dá pra pular etapas de maturidade digital

  1. Antes de pensar em ROI, vem o tracking.
  2. Antes do tracking, vem o CRM limpo.
  3. Antes do CRM, vem o processo de registro da venda.

É chato, técnico e nada glamuroso, mas é isso que separa o marketing que entrega resultado daquele que só entrega relatório bonito.

Falar a língua do CEO é importante, sim. Mas antes de tudo, é bom garantir que o dinheiro que você diz medir… está mesmo sendo medido.

Enquanto isso não acontece, o que dá pra fazer é ter lucidez. Medir o que dá. Corrigir o que quebra. E seguir avançando, um degrau por vez.

E se você acha que isso é papo de mídia paga, não é: em busca é idêntico. Não dá pra falar de citação por IA com um site sem dados estruturados, sem entidade resolvida, sem o básico rastreável. A régua de maturidade muda de nome, os degraus são os mesmos - e pular degrau cobra juros nas duas disciplinas.

Maturidade em marketing não vem de discurso. Vem da prática. No fim, ser estratégico é isso: fazer o feijão com arroz - mas direito.

Uma primeira versão deste texto foi publicada na newsletter da Ana Rosa, no Substack, em janeiro de 2026.

Escrevo com opinião, com dados e com intenção - e os artigos chegam até você pela Cite a Fonte, a newsletter da Rosa Petry no LinkedIn.

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