Nem toda empresa está pronta pra falar de ROAS. E tudo bem.
Sobre o abismo entre o discurso do LinkedIn e a realidade dos CRMs fragmentados - e por que o feijão com arroz bem feito é a estratégia mais sofisticada que existe.
Esse texto nasceu de uma cena que se repete: reunião de diretoria, slide bonito prometendo "visão de receita ponta a ponta", e no bastidor um CRM que não conversa com nada. Escrevi para o gestor que sente que está atrasado no rolê - e que provavelmente não está.
Todo mundo quer medir o que importa. Mas quase ninguém tem o básico funcionando.
Nos últimos anos, virou quase um consenso entre profissionais de marketing: CTR, CPC e CPL são métricas de vaidade. O que importa é LTV, ROI, ROAS, receita. Falar a língua do CEO. Mostrar o impacto real no negócio.
Concordo. Mas tem um porém que quase ninguém gosta de admitir: a maioria das empresas - inclusive as grandes - não tem estrutura técnica pra chegar lá.
Não é falta de inteligência. É falta de integração.
- O CRM não conversa com o gestor de anúncios;
- O lead entra duplicado;
- O funil quebra no meio;
- E o dado da venda nunca volta pra mídia.
No fim, o gestor se vê otimizando campanha pra “cadastro” enquanto o discurso no LinkedIn fala sobre “otimizar pra valor de vida do cliente” - e fica todo mundo com a sensação de estar atrasado no rolê.
O abismo entre o discurso e a prática é enorme
Quem vive o bastidor sabe: medir o que importa depende, antes, de conseguir medir qualquer coisa direito.
O problema não é o marketing ser “míope”, é o ecossistema inteiro ser fragmentado. Cada plataforma fala uma língua:
- Plataformas de mídia falam em conversão;
- CRM fala em oportunidade;
- Financeiro fala em receita.
E ninguém se entende.
Não dá pra pular etapas de maturidade digital
- Antes de pensar em ROI, vem o tracking.
- Antes do tracking, vem o CRM limpo.
- Antes do CRM, vem o processo de registro da venda.
É chato, técnico e nada glamuroso, mas é isso que separa o marketing que entrega resultado daquele que só entrega relatório bonito.
Falar a língua do CEO é importante, sim. Mas antes de tudo, é bom garantir que o dinheiro que você diz medir… está mesmo sendo medido.
Enquanto isso não acontece, o que dá pra fazer é ter lucidez. Medir o que dá. Corrigir o que quebra. E seguir avançando, um degrau por vez.
E se você acha que isso é papo de mídia paga, não é: em busca é idêntico. Não dá pra falar de citação por IA com um site sem dados estruturados, sem entidade resolvida, sem o básico rastreável. A régua de maturidade muda de nome, os degraus são os mesmos - e pular degrau cobra juros nas duas disciplinas.
Maturidade em marketing não vem de discurso. Vem da prática. No fim, ser estratégico é isso: fazer o feijão com arroz - mas direito.
Uma primeira versão deste texto foi publicada na newsletter da Ana Rosa, no Substack, em janeiro de 2026.
Leia também
Escrevo com opinião, com dados e com intenção - e os artigos chegam até você pela Cite a Fonte, a newsletter da Rosa Petry no LinkedIn.


