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O que a IA lê sobre a sua marca: o passo a passo que vem antes de qualquer teste

Antes de testar se a sua marca aparece nas respostas de IA, vale revisar o que já está escrito sobre ela por aí. Um inventário organizado por quem escreve o texto.

Ana Rosa Vieira
Ana Rosa Vieira
Publicado em · Atualizado em · 7 min de leitura

Toda vez que falo de visibilidade em IA, a primeira pergunta é a mesma: como eu testo se a minha marca aparece? A pergunta é legítima, mas ela chega cedo demais. Testar mostra o retrato de um dia. O que sustenta o retrato é o que já está escrito sobre a sua marca espalhado pela internet.

Aparecer na IA é (ou deveria ser) consequência de um trabalho de entidade e contexto bem feito.

Vale olhar dois experimentos que o Search Engine Land publicou este mês. O segundo é o mais direto, porque começou do zero: uma agência de link building para SaaS que não aparecia em nenhuma resposta de IA quando o teste começou. Durante 30 dias, o autor escolheu quinze buscas comerciais, e foi conferindo à mão, em seis plataformas, quais fontes cada uma delas citava ao responder. No fim, tinha registrado 437 menções de fonte, e essas menções vinham quase todas de listas publicadas em sites de terceiros, não do site da marca. A lista que a própria agência publicou em casa respondeu por 14% das menções, e foi também a última a ser citada: demorou dezoito dias para a primeira aparição, enquanto duas publicações externas foram citadas no dia seguinte.

Quando reescreveram esse conteúdo incluindo os concorrentes, as menções pularam de quatro para quarenta e nove. Já no primeiro experimento, com outra marca e outro setor, aconteceu a mesma coisa, só que ao contrário: uma lista que colocava a marca ao lado de nomes conhecidos do mercado perdeu desempenho poucos dias depois que esses nomes saíram da página.

O que sustenta a citação não é o que a marca diz de si, é com quem ela aparece e o que os outros dizem que ela é. O site entra como confirmação: se ele contar uma história diferente da que está espalhada por aí, não tem confirmação, tem ruído.

E tem um segundo achado, esse brasileiro. O estudo do professor Wilson Silva, na ESPM São Paulo, avaliou 552 marcas de 22 setores em 6.611 consultas a quatro modelos. 57% delas não foram citadas por nenhum dos quatro em perguntas da própria categoria. Ser invisível na categoria não é problema de conteúdo, é problema de reconhecimento: a máquina não sabe direito o que a sua marca é.

Por isso o trabalho começa por dentro. E, para isso, tem sim um passo a passo que faz sentido.

O posicionamento da empresa

Escreva uma frase. O que a marca é (a categoria), para quem, e o que a diferencia das outras empresas. Uma frase só, objetivamente, sem grandes conceitos de campanha.

Essa frase é a sua régua do inventário inteiro. Em cada lugar onde a sua marca aparece, você vai fazer três perguntas: a categoria (ou o que eu faço) é a mesma e está compreensível? o meu público está claro? diz por que escolher a minha marca e não outra?

Se o seu posicionamento não está claro nem pra você, imagina para as IAs.

Não é só responsabilidade do marketing

Ativo digital não é site, Instagram e LinkedIn. Esses são os lugares que você, provavelmente, já olha todo dia. O inventário fica interessante justamente no resto, que muitas vezes passa batido justamente porque não fica na mão do marketing.

O que a marca escreve

Aqui você controla tudo e é onde mora a maior parte das inconsistências, por puro esquecimento.

  • Site e página Sobre.
  • Bios de todas as redes sociais, inclusive as que você abandonou (alô Facebook!).
  • Google Meu Negócio: categoria principal e secundárias, descrição, fotos, produtos, serviços, horário.
  • Perfil da empresa no LinkedIn e os perfis pessoais de quem fala em nome dela.
  • Canal no YouTube.
  • Fichas em marketplaces e em app stores.
  • Cadastro em associações e entidades do setor.
  • Página de carreiras e os anúncios de vaga.
  • Diretórios e catálogos setoriais.
  • Wikipédia e Wikidata, quando existe verbete.

O que procurar: categoria genérica ou errada, nome da empresa escrito de jeitos diferentes em lugares diferentes, descrição que conta o que a empresa faz sem dizer o que ela é, endereço e dados de contato desencontrados, página Sobre que narra a fundação e não explica o negócio.

O que a marca responde

Aqui você não escreve o texto original, mas escreve metade da conversa. É o grupo mais ignorado.

  • Avaliações no Google e nos marketplaces, com as respostas.
  • Perguntas e respostas do perfil no Google.
  • Reclame Aqui.
  • Reviews de empregador.
  • Comentários em posts.
  • Fóruns e grupos públicos.

O que procurar: avaliação com pergunta direta do cliente sem resposta, reclamação sem desfecho registrado, resposta padronizada que não informa nada. Quem lê isso não é só o cliente.

O que escrevem sobre a marca

Aqui você não controla, você conquista.

  • Imprensa e portais do setor.
  • Listas de melhores e comparativos.
  • Posts de terceiros.
  • Transcrição de podcast.
  • Vídeo de creator.
  • Trabalho acadêmico, dissertação, material de curso.

O que procurar: onde a marca já é citada, em que contexto, e com qual descrição. E onde ela deveria estar e não está.

Os lugares que não estão no mapa de ninguém

Reputação de empregador, anúncio de vaga e Reclame Aqui entram em qualquer pergunta sobre confiabilidade de empresa. Nas organizações, esses três costumam morar no RH e no SAC, e nunca passam pelo marketing. Não é falha de ninguém, é herança de organograma. Mas se a pergunta do cliente é "essa empresa é confiável", o texto que responde por você foi escrito por uma área que talvez nunca tenha visto o seu planejamento.

Vale o mesmo para catálogo de produto em marketplace, muitas vezes escrito pelo time comercial, e para ficha em associação setorial, preenchida uma vez em 2019.

Ah! Vale lembrar de conferir o pitch comercial, mensagens de whatsapp e e-mails enviados… Nunca se sabe onde o discurso que você planejou acaba interrompido (ou alterado).

O que este passo a passo não resolve

Essa lista não garante citação. Aparecer depende de coisas que estão fora do seu alcance: o que a plataforma decidiu recuperar naquele momento, o histórico de quem perguntou, a forma da pergunta. Já falamos disso, inclusive, na segunda edição da newsletter Cite a Fonte.

A intenção é você garantir o arroz com feijão, direitinho. Marca compreendida tem mais chance de ser mencionada. Marca que se descreve de cinco jeitos diferentes em cinco lugares não tem como ser confirmada por ninguém, nem por gente nem por máquina. Ninguém recomenda o que desconhece, certo?

Depois que a casa estiver arrumada, aí sim a gente pode voltar a conversar sobre metodologia de acompanhamento de resultado. Antes disso, você vai só se assustar com o próprio barulho.

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